sexta-feira, 12 de abril de 2024

Emprego e Política Fiscal no Modelo Marxista - Stephen Thompson

THOMPSON, Stephen. Employment and Fiscal Policy in a Marxian Model. Metroeconomica, v. 69, n. 4, p. 820-846, 2018.

Texto original em inglês disponível aqui.

Sumário

1 | INTRODUÇÃO

2 | O MODELO

2.1 | Estrutura básica

2.2 | Salários

2.3 | Política fiscal

2.4 | Renda e consumo

2.5 | Investimento em capital fixo

2.6 | Estoques, formação de preços e produção

2.7 | Política monetária e o sistema bancário

2.8 | O curto prazo

2.9 | O sistema como um todo

3 | ANÁLISE

3.1 | Crescimento equilibrado

3.2 | Estabilidade

3.3 | Comparativos

4 | POLÍTICA

4.1 | Efeitos de políticas expansionistas

4.2 | Socialização do investimento

4.3 | Um modelo alternativo de política fiscal

4.4 | Extensões do modelo

5 | CONCLUSÃO

Resumo

Este artigo apresenta uma formalização simples do esquema do circuito de capital de Marx, mas com algumas adições modernas: um setor público, uma função de investimento que se altera ao longo do tempo em resposta a desequilíbrios, e uma "curva salarial" que vincula a distribuição de renda ao tamanho do exército de reserva de trabalho. As dinâmicas podem gravitar em direção a uma trajetória de baixo emprego na qual o gasto público tem efeitos expansionistas de longo prazo, ou uma trajetória de alto emprego caracterizada por um aperto nos lucros. A estabilidade das diferentes trajetórias depende da função de investimento.

1. INTRODUÇÃO

Como é amplamente conhecido, uma implicação fundamental da teoria Keynesiana é o paradoxo da parcimônia: a ideia de que, em economias capitalistas operando abaixo do limite de pleno emprego, se a taxa de poupança agregada diminuir, então a renda nacional e o emprego aumentarão como resultado. Na prática, tais mudanças na poupança agregada podem ser alcançadas por meio de variações nos gastos públicos e na tributação. Dessa forma, os governos podem estimular a demanda agregada e eliminar (ou pelo menos aliviar) uma das piores características do capitalismo: o desemprego massivo persistente. Economistas que trabalham na tradição Keynesiana desenvolveram modelos teóricos sofisticados mostrando como essas ideias podem ser implementadas na prática (Ryoo e Skott, 2017; Godley & Lavoie, 2006: Capítulo 11).

Economistas marxistas, por outro lado, têm razões para questionar a eficácia da política Keynesiana padrão. Do ponto de vista Marxista, os trabalhadores desempregados constituem o exército de reserva flutuante de trabalho, cuja existência é crucial para manter baixos salários e disciplina no local de trabalho (Bowles, 1985). Se a taxa de desemprego se tornar muito baixa, a capacidade dos trabalhadores de resistir à exploração aumentará, e isso prejudicará a lucratividade; os capitalistas podem responder reduzindo investimentos, o que causará eventualmente uma queda na taxa de emprego (Marx, [1867] 1990: Capítulo 25; Goodwin, 1967). Assim, os governos podem enfrentar limites inerentes quando tentam estimular o emprego aumentando a demanda agregada.

Ainda assim, Marx ([1894] 1992) às vezes falava sobre a possibilidade de que uma demanda insuficiente derrubasse os lucros, e ideias relacionadas desempenham um papel importante em algumas encarnações modernas da teoria Marxista (Rowthorn, 1981). Assim, as economias Keynesiana e Marxista compartilham pontos importantes em comum (Robinson, 1969). Tudo isso levanta algumas questões críticas: Qual é o status do paradoxo da parcimônia na análise marxista do desenvolvimento capitalista de longo prazo? Se as ideias básicas marxistas sobre como as economias capitalistas funcionam estiverem corretas, então em que medida os governos podem estimular o emprego reduzindo as taxas de poupança agregada? Estas questões são a motivação para o presente artigo.

Uma possível resposta a essas questões vem de Kalecki (1971). No modelo canônico Kaleckiano, a utilização da capacidade varia para acomodar mudanças na demanda agregada. Como consequência, o paradoxo da parcimônia é válido tanto no curto quanto no longo prazo. Sob essas condições, não há troca entre salários e acumulação de capital, e não há razão puramente econômica para que o governo não possa estimular permanentemente o emprego aumentando a demanda agregada. De fato, Kalecki argumenta que, se o pleno emprego não é sustentado a longo prazo, isso se deve à oposição política dos capitalistas às políticas macroeconômicas expansionistas. De uma perspectiva Marxista, o argumento de Kalecki parece tanto surpreendente quanto profundo. Se a barreira fundamental para o pleno emprego é política e não econômica, e as flutuações na demanda agregada podem ser controladas pelo estado, então deveria ser possível "eliminar as crises capitalistas sem eliminar o capitalismo em si" (Foley, 1986b).

Alternativamente, economistas clássico-marxistas sugerem um segundo conjunto de respostas possíveis, bastante diferente, para essas questões. Eles argumentam que, a longo prazo, as empresas ajustarão suas decisões de investimento e/ou preços até que a taxa desejada de utilização da capacidade seja atingida, e que, por essa razão, a taxa de utilização da capacidade em estado estacionário não pode ser determinada pela demanda agregada. Com base nesta ideia, eles construíram modelos com funções de investimento que se ajustam em resposta ao desequilíbrio, de modo que a utilização da capacidade converge para o nível desejado pelas empresas (ver Duménil & Lévy, 1999; Shaikh, 2009). Para esses modelos, o paradoxo da parcimônia vale no curto prazo, mas não no longo prazo, e existe um trade-off de longo prazo entre a taxa de acumulação de capital e o salário real. Se os formuladores de políticas tentarem estimular o emprego reduzindo as taxas de poupança agregada, então, a longo prazo, isso na verdade causará uma queda no emprego; para aumentar permanentemente a taxa de emprego, pode ser necessário colocar as decisões de poupança e investimento dos capitalistas sob controle público (Thompson, 2017). Assim, embora economistas Kaleckianos e clássico-marxistas tenham sido fortemente influenciados pelas ideias econômicas de Marx, eles chegaram a conclusões marcadamente diferentes entre si sobre os limites da política macroeconômica Keynesiana padrão nas economias capitalistas modernas, e o debate sobre o papel da demanda agregada no crescimento de longo prazo parece estar longe de ser resolvido (Duménil & Lévy, 2014; Dutt, 2011).

No presente artigo, eu apresento uma nova abordagem para tudo isso. Na verdade, eu argumento por uma posição intermediária entre os polos Kaleckiano e clássico-marxista. A base para meu argumento é um modelo de uma economia capitalista com três características principais: um setor público, um salário real determinado por um mecanismo de exército de reserva Marxiano, e uma função de investimento que se ajusta em resposta a desequilíbrios. A política fiscal, a estrutura do mercado de trabalho e o nível de atividade econômica determinam conjuntamente a poupança agregada. Eu mostro, como consequência, que o modelo pode ter duas trajetórias de estado estacionário: um caminho de crescimento de baixo emprego que se comporta de maneira Keynesiana (e para o qual o paradoxo da parcimônia vale tanto no curto quanto no longo prazo), e um caminho de crescimento de alto emprego com características clássico-marxistas. A economia pode gravitar em direção a qualquer uma dessas trajetórias; o resultado final é mostrado como dependente de alguns parâmetros chave que descrevem as decisões de investimento dos capitalistas. O resultado é que políticas fiscais expansionistas ainda podem ser capazes de estimular a economia a longo prazo ao afetar o estado estacionário de baixo emprego, mas elas não podem elevar a taxa de emprego acima de um certo ponto. Para trazer uma economia capitalista em direção ao pleno emprego, os formuladores de políticas podem precisar exercer algum grau de controle público sobre as decisões de poupança e investimento dos capitalistas.

O restante deste artigo está organizado da seguinte forma. Primeiro, na Seção 2, eu formulo o modelo. A terceira seção analisa os caminhos de crescimento equilibrado do modelo e sua estabilidade. Uma quarta seção estabelece algumas implicações políticas. A seção final conclui o artigo.

2 | O MODELO

2.1 | Estrutura básica

Neste artigo, eu estudo uma economia capitalista fechada que possui a seguinte estrutura. Os capitalistas utilizam trabalho e capital fixo, com tecnologia de coeficientes fixos, para produzir um fluxo de produto homogêneo. O preço de uma unidade de produto é p. Não há mudança tecnológica, e a produção ocorre instantaneamente. A razão de produto-capital agregado é ρ, e por simplicidade, assumo que as unidades foram escolhidas de modo que a razão de produto-trabalho seja um. Assim, a produção real agregada, Q, está relacionada ao capital fixo agregado, K, e ao emprego agregado, E, pelas equações

$Q = \rho K \tag{1}$


e

$E = Q \tag{2}$

Uma vez que o modelo descreve um mundo de mercadoria homogênea, Q e K denotam quantidades inequívocas de produção e capital, respectivamente. Permita que o investimento bruto em capital fixo real seja denotado por I, e que δ denote a taxa de depreciação para o capital fixo. A dinâmica de K é determinada por

$\dot{K} = I - \delta K$ (3)

(Neste artigo, um ponto acima de uma variável sempre denota uma derivada em relação ao tempo.) Essas equações estabelecem, portanto, relações fundamentais entre emprego, investimento e a escala de produção neste modelo.

A demanda agregada neste modelo consiste no consumo real dos trabalhadores Cw, no consumo real dos capitalistas Cc, na demanda bruta de investimento real I e nos gastos reais do governo G. Vou assumir que as vendas se ajustam instantaneamente para atender à demanda agregada. Assim, o volume total de vendas, medido em termos reais, é

$S = C_w + C_c + I + G \tag{4}$

A quantidade de estoques reais mantidos pelos capitalistas, X, é determinada pela equação diferencial

$\dot{X} = Q - S \tag{5}$

Quando os capitalistas vendem mercadorias, eles as trocam por dinheiro, que fica em um estoque de capital financeiro, F, e está disponível para financiar novos projetos de investimento, mas também pode ser gasto em bens de consumo ou simplesmente acumulado. Se denotarmos o fluxo de caixa dos capitalistas por pR, então F evolui de acordo com a equação

$\dot{F} = pR - pCc - pI \tag{6}$

onde pCc e pI denotam o valor monetário do consumo dos capitalistas e do investimento bruto.

O esquema acima representa, de forma simplificada, o circuito do capital, um framework originalmente formulado por Marx ([1894] 1992), e analisado ou estendido posteriormente de várias maneiras por outros (ver Basu, 2014; Foley, 1986a; Foley, 1986b; Dos Santos, 2015; Jiang, 2015; Vasudevan, 2016). Sob a perspectiva de um capitalista individual, o circuito começa quando ele troca dinheiro por capital fixo e força de trabalho. O processo de produção é então iniciado, e o resultado são mercadorias vendáveis que esperam em um estoque de inventários. Uma vez que um comprador é encontrado, o capitalista troca essas mercadorias por dinheiro. O capitalista pode então usar esse dinheiro para comprar novos meios de produção e força de trabalho, iniciando assim uma nova iteração do circuito. Somando os resultados de todas essas decisões individuais, obtemos um circuito agregado em que as três etapas — conversão de dinheiro em capital produtivo, o processo de produção e a troca de mercadorias acabadas por dinheiro — estão constantemente transformando valor de uma forma para outra. No total, isso proporciona uma maneira sistemática de estudar as partes interagentes de uma economia capitalista em expansão. Dentro do contexto do modelo formulado aqui, para estudar a dinâmica do sistema inteiro precisamos fornecer uma descrição de como as variáveis R, p, G, I, Cc e Cw evoluem ao longo do tempo. Vamos tratar disso agora.

2.2 | Salários

Antes de prosseguirmos com a construção deste modelo, precisamos de uma descrição do mercado de trabalho. Vou assumir que o tamanho da força de trabalho, N, cresce a uma taxa constante, n. Portanto:

$\hat{N} = n \tag{7}$

(Aqui e em outros lugares, um 'chapéu' indica uma taxa de crescimento, então, por exemplo, $\hat{N} = \frac{\dot{N}}{N}$.) A taxa de emprego é simplesmente

$e = \frac{E}{N} \tag{8}$

Eu assumo que o salário real, w, é uma função da taxa de emprego:

$w = f[e] \tag{9}$

onde $f' > 0$. (No interesse da legibilidade, incluo todos os argumentos das funções entre colchetes.) Esta formulação captura a ideia de que o tamanho do exército de reserva de trabalho afeta o poder de barganha dos trabalhadores. Mais concretamente, pode-se esperar uma relação de equilíbrio positiva entre emprego e a taxa salarial devido ao efeito da taxa de emprego sobre o custo da perda de emprego (Bowles & Boyer, 1988). A equação acima também é consistente com a existência de uma curva salarial como a investigada econometricamente por Blanchflower e Oswald (1995). De fato, Blanchflower e Oswald argumentam que $f$ deveria ter a forma $f[e] = A(1 - e)^{-\xi}$ onde $A$ é uma constante positiva e $\xi \approx 0.1$, embora a meta-análise de Nijkamp e Poot (2005) sobre a literatura da curva salarial sugira que $\xi = 0.07$ é um valor mais realista. Note que essa forma para $f$ significa que o salário torna-se mais sensível a mudanças no emprego à medida que a taxa de emprego se aproxima de um [1].

[1]: Poderíamos também argumentar, seguindo Bowles e Boyer (1988), que a razão trabalho-produto variará ao longo do tempo à medida que mudanças nas condições do mercado de trabalho afetem o nível de intensidade do trabalho. No entanto, no presente modelo, ignoro esta possibilidade em prol da simplicidade.

2.3 | Política fiscal

Neste modelo, os gastos reais do governo, G, são

$G = \phi N + \chi K \tag{10}$

onde $\phi$ e $\chi$ são constantes não negativas [2]. O primeiro termo, $\phi N$, no lado direito da equação (10) corresponde ao fato de que muitos componentes dos gastos governamentais (incluindo gastos com saúde, educação, habitação, infraestrutura, benefícios de aposentadoria e aspectos da rede de segurança social) tendem a crescer com o tamanho da população. O termo $\phi N$ pode ser considerado como um componente de gasto autônomo. O segundo termo, $\chi K$, leva em conta a possibilidade de que certos tipos de despesas governamentais possam crescer com o tamanho da capacidade produtiva da economia.

[2]: Neste modelo, os gastos governamentais consistem inteiramente em compras diretas do setor privado, mas isso não mudaria os resultados se, em vez disso, parte dos gastos assumisse a forma de benefícios em dinheiro para os trabalhadores que são imediatamente gastos.

Na realidade, não esperaríamos que qualquer componente significativo dos gastos governamentais crescesse exatamente em proporção à população, mas esperaríamos que os dispêndios do setor público atendessem a duas condições básicas. Primeiro, a razão entre os gastos governamentais e a renda nacional não deveria cair para zero nem subir para um a longo prazo. Segundo, quando há uma queda repentina no crescimento da renda nacional, geralmente não esperaríamos ver uma redução correspondente nos gastos públicos; é apenas no estado estacionário que as despesas do setor público e as rendas do setor privado cresceriam exatamente na mesma taxa. O termo $\phi N$ na Equação (10) fornece uma maneira direta de fazer a política fiscal atender a essas condições no presente modelo [3].

[3]: Claro, isso é equivalente à suposição de que um componente dos gastos governamentais cresça à taxa $n$. Em um modelo com mudança tecnológica, para atender às duas condições mencionadas acima, esse componente na verdade precisaria crescer à taxa natural, ou seja, a taxa de crescimento da população mais a taxa de crescimento da produtividade do trabalho. Isso pode ocorrer porque as expectativas sobre a qualidade dos serviços públicos aumentarão com o nível de desenvolvimento econômico. Assim, esperaríamos que os gastos com saúde, educação, benefícios de aposentadoria, auxílio aos desempregados etc., crescessem aproximadamente à taxa natural a longo prazo, mas não crescessem em sincronia com o capital fixo ou a renda nacional.

O governo financia seus gastos com uma combinação de impostos e empréstimos. Como uma descrição simples de um sistema tributário progressivo, assumo que apenas os capitalistas pagam impostos, e deixo o valor real do total de impostos em um dado momento ser $T$. Deixe $B$ denotar o estoque da dívida pública em aberto em qualquer momento e deixe $i$ ser a taxa de juros nominal sobre a dívida do governo. A dinâmica de $B$ é determinada por

$\dot{B} = pG + iB - pT \tag{11}$

Vou assumir que a dívida do governo circula como dinheiro e que a taxa de juros é definida por um banco central.

O valor nominal, $pD$, do déficit orçamentário do governo em qualquer momento é $pD = pG + iB - pT$. Vou assumir que o governo tenta regular o emprego variando o tamanho do déficit (como uma porcentagem do produto total) em resposta a mudanças na taxa de desemprego. Especificamente, assumo que o déficit orçamentário do governo satisfaz

$\frac{pD}{pQ} = \eta + \theta(1 - e) \tag{12}$

onde $\eta$ e $\theta$ são constantes e $\theta \geq 0$. Dado $G$ e as obrigações existentes da dívida do setor público, o governo realiza seu déficit alvo por meio de mudanças nos impostos agregados. Assim, os impostos reais agregados, $T$, devem satisfazer

$ T = G + \frac{iB}{p} - D \tag{13}$

Certamente, este modelo de política fiscal é uma aproximação simplificada da realidade. Mas ele captura o fato de que, em economias capitalistas reais, há uma forte tendência de os déficits orçamentários do governo aumentarem quando a taxa de desemprego sobe [4]. Além disso, este modelo de gastos deficitários nos permite explorar as possibilidades de estabilizar uma economia capitalista em uma taxa de emprego alta, variando agressivamente o déficit do governo em resposta às mudanças no emprego.

[4]: Por exemplo, Lowery (1985) estuda a dinâmica do déficit orçamentário federal dos EUA e descobre que um aumento de um ponto percentual na taxa de desemprego gera cerca de um aumento de três pontos percentuais no déficit orçamentário federal, medido como uma porcentagem dos gastos federais.

A descrição da política fiscal formulada aqui está relacionada a outras que apareceram na literatura. Se $\phi$ é definido como zero, o modelo de política fiscal torna-se semelhante à abordagem de finanças funcionais estudada por Ryoo e Skott (2017). Como veremos abaixo, a política contra-cíclica (12) cria um meio pelo qual a taxa de emprego pode influenciar a razão de vendas agregadas para o capital; Ryoo e Skott (p. 516–517) empregam uma ideia semelhante. Alternativamente, se $D$ e $\chi$ são definidos como zero, mas $\phi$ não, o modelo de política fiscal é muito semelhante ao estudado por Allain (2015), mas com a taxa de crescimento dos gastos autônomos limitada ao crescimento da população (veja também Fazzari, Ferri, Greenberg, & Variato, 2013). Essas suposições significam que a política fiscal pode desempenhar um papel significativo na determinação da poupança agregada, tanto por meio de mudanças na razão entre a renda nacional e os gastos governamentais quanto por mudanças no tamanho do déficit. No entanto, o presente modelo difere dos outros discutidos acima em um aspecto importante: neste artigo eu assumo que a distribuição de renda é ativamente contestada pelos trabalhadores e depende do nível de atividade econômica. Como veremos, esse fato complica significativamente a tarefa de gerenciamento macroeconômico.

2.4 | Renda e consumo

Os trabalhadores neste modelo não poupam nem possuem riqueza, e sua renda nominal total é $pwE$. Isso dá origem a uma função de consumo muito simples para os trabalhadores:

$pC_w = p_wE \tag{14}$

A renda em dinheiro agregada para os capitalistas é $pS + iB - pwE - pT$. Normalizada pelo nível de preços, isso é

$R = S + \frac{iB}{p} - wE - T \tag{15}$

Vou assumir que os capitalistas consomem uma proporção fixa não nula, $1-s$, de sua renda em dinheiro:

$pC_c = (1-s) pR \tag{16}$

Para simplificar a análise, ignorei a possibilidade de que os capitalistas levem em conta as perdas de inflação quando tomam decisões de consumo.

2.5 | Investimento em capital fixo

O investimento está sujeito a uma restrição de financiamento. Como resultado, o fluxo de caixa dos capitalistas, $R$, influencia decisões sobre investimento em capital fixo. Podemos incorporar essa ideia no modelo assumindo que a demanda bruta de investimento real, $I$, é determinada pela equação

$\frac{I}{K} = a - \beta i + \gamma r - \epsilon e \tag{17}$

onde $\beta$, $\gamma$ e $\epsilon$ são constantes não negativas. O primeiro termo, $a$, na função de investimento é um termo de 'espíritos animais' que pode variar ao longo do tempo, de uma maneira a ser especificada abaixo. A variável $r$ é o fluxo de caixa relativo ao capital fixo:

$r = \frac{pR}{pK} \tag{18}$

O termo $\gamma r$ captura o efeito do fluxo de caixa na demanda de investimento, como em Lavoie e Godley (2001–2002). O termo $-\beta i$ representa um efeito padrão da taxa de juros sobre o investimento; quando a taxa de juros sobre a dívida governamental é alta, torna-se relativamente mais atrativo para os capitalistas acumular dívida governamental, o que eles podem fazer diminuindo a taxa de investimento em capital fixo. Finalmente, o termo $-\epsilon e$ representa o fato de que a escassez de mão-de-obra — sem mencionar as mudanças nas relações sociais de produção resultantes de um mercado de trabalho apertado — provavelmente diminuirá a demanda por investimento [5]. Para evidências econométricas em apoio a essa suposição, veja Skott e Zipperer (2012).

[5]: À medida que a taxa de emprego se aproxima de um, pequenos aumentos na taxa de emprego podem ser esperados para ter um efeito cada vez mais significativo nas decisões de investimento. Poder-se-ia incorporar essa ideia no modelo com uma função de investimento não linear. No entanto, no interesse da simplicidade, usarei a especificação linear (17).





Equações:

$Q = pK \tag{1}$

$E = Q \tag{2}$

$\dot{K} = I - \delta K \tag{3}$

$S = C_w + C_c + I + G \tag{4}$

$\dot{X} = Q - S \tag{5}$

$\dot{F} = pR - pCc - pI \tag{6}$

$\hat{N} = n \tag{7}$

$e = \frac{E}{N} \tag{8}$

$w = f[e] \tag{9}$

$G = \phi N + \chi K \tag{10}$

$\dot{B} = pG + iB - pT \tag{11}$

$\frac{pD}{pQ} = \eta + \theta(1 - e) \tag{12}$

$ T = G + \frac{iB}{p} - D \tag{13}$

$pC_w = p_wE \tag{14}$


$R = S + \frac{iB}{p} - wE - T \tag{15}$

$pC_c = (1-s) pR \tag{16}$

$\frac{I}{K} = a - \beta i + \gamma r - \epsilon e \tag{17}$

$r = \frac{pR}{pK} \tag{18}$

$y = \frac{S}{X} \tag{19}$

$\hat{p} = \iota (y - \bar{y}) \tag{20}$

$\dot{a} = \kappa (y - \bar{y}) \tag{21}$

$\frac{d}{dt} i = \mu \hat{p} \tag{22}$

$c = a - \beta i \tag{23}$

$\dot{F} = \dot{B} \tag{24}$

$sR = I + D \tag{25}$

$sr = g + d \tag{26}$

$g = \frac{I}{K} = c + \gamma r - \epsilon e \tag{27}$

$d = \frac{D}{K} = p\eta + p\theta(1 - e) \tag{28}$

$r = r[c,e] \tag{29}$

$\frac{dr}{dc} = \frac{1}{s-\gamma} \tag{30}$



$\frac{dg}{dc} = \frac{s}{s-\gamma} \tag{31}$


$\frac{dr}{d\eta} = \frac{\rho}{s-\gamma} \tag{32}$

$\frac{dg}{d\eta} = \frac{\gamma \rho}{s-\gamma} \tag{33}$

$x = \frac{X}{K} \tag{34}$

$b = \frac{B}{pK} \tag{35}$







SIGLAS

B = estoque da dívida pública em aberto a qualquer momento;
$\dot{B}$ = taxa de variação do estoque da dívida pública ao longo do tempo;
Cc = consumo real dos capitalistas;
Cw = consumo real dos trabalhadores;
D = déficit orçamentário real;
e = taxa de emprego;
E = emprego agregado;
$\dot{F}$ = derivada do estoque de capital financeiro em relação ao tempo;
f[e] = função (f) da taxa de emprego (e);
G = gastos reais do governo;
i = taxa de juros nominal sobre a dívida do governo;
I = Investimento real bruto em capital fixo;
K = capital fixo; estoque de capital; quantidade de capital fixo;
$\dot{K}$ = derivada das quantidades de capital em relação ao tempo; taxa de variação (derivada) do estoque de capital ao longo do tempo;
N = tamanho da força de trabalho;
N^ = taxa de crescimento de N;
n = taxa de crescimento (considerada constante);
$\dot{N}$ = derivada de N em relação ao tempo; a taxa de variação de N ao longo do tempo;
p = preço de uma unidade de produto/bem;
pD = déficit orçamentário nominal do governo;
pR = Fluxo de caixa dos capitalistas;
pCc = valor monetário do consumo dos capitalistas;
pI = valor monetário do investimento bruto;
Q = produção agregada real;
S = demanda agregada;
T = valor real total dos impostos em certo momento;
$\dot{X}$ = derivada dos estoques reais mantidos pelos capitalistas em relação ao tempo;
w = salário real;

ρ = (letra grega minúscula rho) = razão produto-capital;
δ = taxa de depreciação do capital fixo;
Φ e χ = constantes não negativas.




segunda-feira, 8 de abril de 2024

Competição, Monopólio e Taxas de Lucro Diferenciais - Willi Semmler

SEMMLER, Willi. Competition, Monopoly, and Differential Profit Rates: On the Relevance of the Classical and Marxian Theories of Production Prices for Modern Industrial and Corporate Pricing. New York: Columbia University Press, 1984.

Sumário:

Parte 1 - Sobre Teorias de Concorrência e Suas Previsões Empíricas 1

Capítulo 1. Introdução e Visão Geral 3

Capítulo 2. Sobre Teorias de Concorrência 9

2.1 Sobre a Teoria Neoclássica: Concorrência e Convergência Para o Equilíbrio 10

2.2 Sobre a Teoria Clássica: Centro de Gravidade e Flutuação dos Preços de Mercado 14

2.2.1 Reprodução e Produto Excedente 14

2.2.2 Centro de Gravidade 16

2.2.3 Posição de Longo Prazo e Desvios 20

2.3 Sobre a Teoria Marxista: Concorrência e Desequilíbrio 21

2.3.1 Produção de Excedente, Autoexpansão do Capital e Concorrência 22

2.3.2 Valores de Mercado e Preços de Produção como Centros de Gravidade 24

2.3.3 Mudanças nos Centros de Gravidade 28

2.3.4 Taxa Média de Lucro, Taxas de Lucro Diferenciais e Renda 34

2.4 Sobre Teorias Pós-Marxistas e Pós-Keynesianas: A Ascensão do Oligopólio e Poder de Mercado 38

2.5 Resumo e Previsões Empíricas das Diferentes Teorias 44

Parte 2 - Evidência Empírica sobre Preços Industriais e Corporativos e Taxas de Lucro Diferenciais 53

Capítulo 3. Evidência Empírica sobre Preços Industriais e Corporativos 55

3.1 Equações de Preço para o Mecanismo Competitivo, Precificação Oligopolista e Preços de Produção 56

3.1.1 Mecanismo Competitivo e Oferta e Demanda — Teoria Neoclássica 56

3.1.2 Poder de Mercado e Precificação Oligopolista — Teoria PósKeynesiana 58

3.1.3 Preços de Produção — Teorias Clássica e Marxista 63

3.2 Evidência Empírica sobre Determinantes dos Preços Industriais e Corporativos 69

3.2.1 Oferta e Demanda e Preços Competitivos 69

3.2.2 Poder de Mercado e Precificação Oligopolista 72

3.2.3 Preços de Produção como Centros de Gravidade para os Preços de Mercado 77

3.2.4 Resumo e Conclusões 81

3.3 Oferta e Demanda, Poder de Mercado, Preços de Produção e Mudança de Preço 82

3.3.1 Efeito Neutro da Concentração sobre Mudança de Preço 83

3.3.2 Concentração, Amortecendo ou Reforçando o Aumento de Preço 85

3.3.3 Concentração, Rigidez de Preço e Ciclos Econômicos 89

3.4. Resumo e uma Explicação Alternativa para a Mudança de Preço no Ciclo Econômico 96

Capítulo 4. Evidência Empírica sobre Taxas de Lucro Diferenciais para Indústrias e Empresas 106

4.1 Observações Metodológicas 106

4.2 Resultados Empíricos sobre Taxas de Lucro Diferenciais 111

4.2.1 Resumo de Estudos sobre Poder de Mercado e Taxas de Lucro Diferenciais 111

4.2.1 Resumo de Estudos sobre Poder de Mercado e Taxas de Lucro Diferenciais 111

4.2.2 Concentração e Diferenças de Rentabilidade Interindustriais e Interempresariais 111

4.3 Concentração, Barreiras à Mobilidade e Taxas de Lucro Diferenciais: Um Teste Simples para a Alemanha Ocidental 128

4.3.1 Concentração e Condições de Oferta 129

4.3.2 Concentração e Taxas de Lucro Diferenciais 131

4.3.3 Barreiras à Mobilidade e Taxas de Lucro Diferenciais 133

Parte 3 Estudos Empíricos e as Teorias Clássica e Marxista 139

Capítulo 5. Preços de Produção, Indústrias de Produto Único e Precificação Industrial 141

5.1 Avaliação dos Estudos Empíricos sobre Taxas de Lucro Diferenciais 141

5.1.1 Condições de Oferta e Demanda e Taxas de Lucro Diferenciais 141

5.1.2 Variáveis de Poder de Mercado e Taxas de Lucro Diferenciais 142

5.1.3 Tamanho da Empresa, Participação de Mercado e Taxas de Lucro Diferenciais 145

5.1.4 Causas dos Diferenciais nas Margens de Lucro 146

5.2 Preços de Produção e Taxas de Lucro Diferenciais 147

5.3 Preços de Produção, Precificação Industrial e Markups 151

Capítulo 6. Preços de Produção, Produção Conjunta e Precificação Corporativa 160

6.1 Um Modelo Simples de Produção Conjunta e Atividades Corporativas 161

6.2 Produção Conjunta com Atividades Separadas e Não Separadas 167

6.2.1 Produção Conjunta e Atividades Separadas 171

6.2.2 Produção Conjunta e Atividades Não Separadas 177

6.3 Preços de Produção, Precificação Corporativa e Markups 182

Capítulo 7. Poder de Mercado e Poder Corporativo — Algumas Conclusões 190

Apêndices 195

Apêndice 1. Mudança Técnica e Mudança nos Valores 197

Apêndice 2. Mudança Técnica e Mudança nos Preços de Produção 201

Apêndice 3. Produção Conjunta, Taxa de Lucro Uniforme, Preços e Não Substituição 205

A3.1 Problema de Autovalor Generalizado e Preços 205

A3.2 Produção Conjunta e Teorema da Não Substituição 207

Apêndice 4. Produção Conjunta, Taxas de Lucro Diferenciais e Preços 209

Apêndice 5. A Lei de Oferta e Demanda: A Existência e Estabilidade de um Equilíbrio Geral 212

quinta-feira, 4 de abril de 2024

Como Começar a Estudar Economia

Por: Felipe Borti (Canal Grundrisse). Economista, mestre em Desenvolvimento Socioeconômcio, especialista em Economia no Setor Público e Políticas Públicas.

Obs: as sugestões a seguir não pretendem ser um guia definitivo de como começar estudar economia, trata-se apenas da partilha de algumas experiências, dicas de leitura e problemas com os quais me deparei nos anos inicias dos estudos em economia, visando ajudar aqueles que pretendem embarcar nessa longa jornada.

Introdução

Ao começar a estudar economia, é comum deparar-se com uma série de desafios, desde compreender os conceitos básicos até mergulhar em análises mais complexas. Desse modo, é fundamental criar bases sólidas que possibilitem o avanço nos estudos.

A primeira e mais importante recomendação de livro, visando tanto uma introdução à economia de modo geral, mas dando certa ênfase em macroeconomia, é o livro A Nova Contabilidade Social: Uma Introdução à Macroeconomia da professora Leda Paulani e do Márcio Bobik Braga (ambos professores da USP). A contabilidade social está para a macroeconomia assim como o pré-cálculo está para o cálculo, ou seja, trata-se de uma disciplina fundamental para o estudo da macroeconomia.

PAULANI, Leda Maria e BRAGA, Márcio Bobik.  A Nova Contabilidade Social: uma introdução à macroeconomia - 5. ed. - São Paulo: Saraiva, 2020.

Nosso curso de contabilidade social, baseado principalmente no referido livro, está disponível aqui.

Materiais para o estudo da contabilidade social marxista podem ser encontrados aqui.

Outros materiais para o estudo da contabilidade social convencional estão disponíveis aqui.

Alternativamente, para um estudo mais geral de introdução à economia, abordando noções introdutórias de contabilidade social, macroeconomia, economia monetária, economia internacional, orçamento público, dentre outros, veja o nosso curso Introdução à Economia - Teoria e Exercícios.

Edições

Além do livro da Leda Paulani e do Márcio Braga, existe outro livro de altíssimo nível chamado Contabilidade Social (2017) escrito pela professora Carmem Feijó. Todavia, esse livro possui um grau de complexidade maior, sendo o livro da Leda e do Braga muito mais didático.

Um cuidado importante que se deve ter ao começar estudar contabilidade social é justamente o ano da publicação do material utilizado. O sistema de contas nacionais brasileiro teve alterações importantíssimas a partir de 2015, mudando muitos elementos no que tange as contas nacionais e a metodologia do balanço de pagamentos. Além disso, em 2020 ocorreram alterações importantes nas definições dos agregados monetários, ou seja, textos anteriores a 2020 apresentam conceitos ultrapassados acerta dos agregados monetários (M1, M2, M3, e M4) e trabalhos anteriores a 2015 apresentam a versão antiga do sistema de contas e do balanço de pagamentos. Portanto, trabalhos anteriores já estão desatualizados em termos de conteúdo.

Conteúdo

Como dito anteriormente, a contabilidade social é um pré-requisitos INDISPENSÁVEL para o estudo da economia como um todo e, principalmente, da macroeconomia. Uma explicação do motivo desta ser a matéria mais importante do curso de economia se encontra aqui. O conteúdo do livro da Leda e do Braga podem ser divididos basicamente em 4 partes:

  • Contas Nacionais
  • Balanço de Pagamentos (BPM6)
  • Introdução à Economia Monetária (moeda, sistema monetário e inflação)
  • Indicadores sociais

Em Contas Nacionais, estudamos a mensuração sistemática da atividade econômica de um país, incluindo a produção de bens e serviços (Produto Interno Bruto - PIB), distribuição de renda, consumo, investimento e setores econômicos. Além disso, se estuda as contas específicas como as Tabelas de Recursos e Usos, as Contas Econômicas Integradas Institucionais (CEI), etc.

Em Balanço de Pagamentos (BPM6), se estudo basicamente o registro contábil que acompanha as transações econômicas entre um país e o resto do mundo - as contas externas. Inclui transações comerciais (exportações e importações), investimento estrangeiro, transferências financeiras, etc. O BPM6 é a metodologia atual do Balanço de Pagamentos do Brasil.

Em Introdução à Economia Monetária (dividido em três capítulos: "moeda", "sistema monetário" e "sistema monetário e inflação"), se estuda papel da moeda na economia, incluindo sua criação, circulação e controle por autoridades monetárias, as funções do Banco Central, a distinção entre moeda manual e moeda escritural, os tipos de déficits públicos, introduz as discussões acerca da inflação, os agregados monetários, dentre outros. Também aborda o sistema monetário de um país, incluindo políticas monetárias e seus efeitos sobre a inflação, o nível de preços e a estabilidade econômica.

Em Indicadores Sociais, se estuda as medidas que avaliam o bem-estar e o desenvolvimento social de uma sociedade. Incluem indicadores como taxa de desemprego, índice de desenvolvimento humano (IDH), desigualdade de renda, acesso à saúde e educação, entre outros. Esses indicadores são essenciais para compreender os aspectos sociais e distributivos da economia.

Siga o Canal Grundrisse para conteúdo em economia, contabilidade e matemática.

quinta-feira, 28 de março de 2024

Macroeconomia Comportamental e Estruturalista - Peter Skott

SKOTT, Peter. Structuralist and Behavioral Macroeconomics. Cambridge University Press, 2023.

Tradução livre

SUMÁRIO

1. Introdução: O Estado da Macroeconomia 1

    1.1 Objetivos e Temas 1

    1.2 Contexto 3

    1.3 Visão Geral 8

        1.3.1 Comportamento 8

        1.3.2 Estrutura 10

        1.3.3 Instabilidade, Ciclos e Crescimento Econômico 12

        1.3.4 Modelos Centrais 14

        1.3.5 Terminologia e Notação 14

2. A Crítica de Lucas e Agentes Representativos 16

    2.1 Contexto 16

    2.2 A Crítica de Lucas e a Macroeconomia Contemporânea 17

    2.3 O Agente Representativo 20

        2.3.1 Os Resultados de Sonnenschein−Debreu−Mantel 20

        2.3.2 Uma Defesa Pragmática? 23

    2.4 Bem-estar e Desigualdade 29

        2.4.1 A Abordagem do Agente Representativo 29

        2.4.2 Um Viés Distributivo Intrínseco 30

        2.4.3 Discussão 33

    2.5 Uma Crítica de Lucas à Solução de Lucas 34

    2.6 Conclusão 35

3. Consumo e Poupança das Famílias 41

    3.1 Introdução 41

    3.2 Expectativas, Viés Presente e Restrições de Crédito 42

        3.2.1 Expectativas e Aprendizagem 42

        3.2.2 Viés Presente, Racionamento de Crédito e Contas Mentais 46

    3.3 ‘Preferências Sociais’ 49

        3.3.1 Análise de Bem-estar 50

        3.3.2 Diferenças nas Taxas Médias de Poupança 53

    3.4 Consumo Agregado 57

        3.4.1 Distribuição de Renda e Consumo Agregado 57

        3.4.2 Uma Função de Consumo Agregado Híbrida 59

    3.5 Uma Perspectiva Mais Radical 61

    3.6 Conclusão 64

4. Poupança em uma Economia Corporativa 70

    4.1 Introdução 70

    4.2 Poupança e Decisões de Portfólio 73

        4.2.1 Taxas de Poupança Diferenciais 73

        4.2.2 O Teorema Neo-Pasinetti 76

        4.2.3 Um Parêntese: O Teorema de Pasinetti e Modelos DSGE 81

    4.3 Efeitos de Retroalimentação nas Decisões Financeiras das Empresas 82

    4.4 Efeitos de Riqueza e Portfólio 87

    4.5 Heterogeneidade das Famílias 91

    4.6 Conclusão 95

5. Curvas de Phillips e a Taxa Natural de Desemprego 102

    5.1 Introdução 102

    5.2 Curvas de Phillips 104

    5.3 Evidências da OCDE 112

    5.4 Fragilidade Teórica: Sindicatos e ‘Viés de Inflação’ 116

        5.4.1 Um Modelo com um Sindicato Central 118

        5.4.2 Implicações 121

        5.4.3 Curvas de Phillips 122

    5.5 Conclusão 123

6. Justiça, Ilusão Monetária e Dependência de Trajetória 131

    6.1 Introdução 131

    6.2 Justiça e Desemprego 133

    6.3 Ilusão Monetária e Rigidez para Baixo dos Salários Nominais 136

    6.4 Normas Endógenas e Dependência de Trajetória 145

    6.5 Inflação em uma Economia em Desenvolvimento 155

        6.5.1 Um Modelo Estruturalista de ‘Desemprego Natural’ 157

        6.5.2 Normas Endógenas e Aspirações 161

    6.6 Conclusão 165

7. Desigualdade de Renda, Viés de Poder e Desencontro 173

    7.1 Introdução 173

    7.2 Coordenação, Controle e o Poder dos Trabalhadores 178

        7.2.1 Tecnologia, Coordenação e Instituições 178

        7.2.2 Agência e Poder 181

    7.3 Um Modelo de Mudança com Viés de Poder 182

        7.3.1 Pressupostos 182

        7.3.2 Mudança Tecnológica com Viés de Poder 184

        7.3.3 Mudança Institucional com Viés de Poder 186

    7.4 Poder, Habilidade e Desencontro 188

    7.5 Remuneração de CEOs 192

        7.5.1 Volatilidade no Nível da Empresa 192

        7.5.2 Contingências e Implicações 194

        7.5.3 Normas de Justiça, Grupos de Referência e Efeitos de Catraca 196

    7.6 Conclusão 198

8. Ajuste Macroeconômico e o Argumento de Instabilidade de Keynes 203

    8.1 Introdução 203

    8.2 IS−LM 207

    8.3 Mudanças nos Salários Monetários 214

    8.4 Kalecki 219

    8.5 Regras de Taylor e o Limite Inferior Zero 220

    8.6 Conclusão 225

9. Crescimento e Ciclos 228

    9.1 Introdução 228

    9.2 Problemas de Harrod e a Solução de Solow 229

        9.2.1 Um Modelo de Referência Harrodiano 229

        9.2.2 A Solução de Solow 230

    9.3 A Função de Produção Neoclássica 232

        9.3.1 A Escolha da Técnica e a Elasticidade de Substituição 233

        9.3.2 Agregação e a Controvérsia do Capital de Cambridge 235

        9.3.3 Defesas Pragmáticas e Evidências Empíricas 239

    9.4 Reconciliando Taxas de Crescimento Garantidas e Naturais sem uma Função de Produção Neoclássica 242

        9.4.1 Uma Solução Kaldor−Solow 244

        9.4.2 Uma Solução Marx−Goodwin 245

    9.5 Ciclos de Crescimento Endógenos e Exógenos 249

    9.6 Conclusão 252

10. Ciclos de Crescimento Endógenos com ou sem Flexibilidade de Preços 256

    10.1 Introdução 256

    10.2 Os Preços São Flexíveis? 258

    10.3 Um Modelo com Produção Fixa e Preços Flexíveis 262

        10.3.1 Produção e Emprego 262

        10.3.2 Investimento 266

        10.3.3 Poupança 268

        10.3.4 Um Modelo de Base 268

    10.4 Análise 269

    10.5 Evidências Empíricas e o Modelo de Base 275

    10.6 Um Modelo Estendido: Política Econômica, Dinâmica de Investimento, Restrições de Crédito e     a Lei de Okun 279

    10.7 Um Modelo com Produção Flexível 285

    10.8 Conclusão 289

11. Estagnação Secular e Finanças Funcionais 299

    11.1 Introdução 299

    11.2 Algumas Álgebras Simples para uma Economia Madura 301

    11.3 Possíveis Respostas 302

        11.3.1 Equilíbrio Dinâmico Estocástico Geral 302

        11.3.2 Vidas Finitas e Gerações Sobrepostas 303

    11.4 Finanças Funcionais 305

    11.5 Implicações 309

        11.5.1 Dívida Pública e Crescimento Econômico 309

        11.5.2 Estagnação Secular e ‘Taxas de Juros de Equilíbrio’ 312

        11.5.3 Austeridade 315

        11.5.4 Distribuição de Renda e Poupança 316

        11.5.5 Efeitos Negativos da Dívida Pública 317

        11.5.6 Relevância Empírica das Finanças Funcionais 318

    11.6 Finanças Funcionais em Economias em Desenvolvimento 320

        11.6.1 Um Modelo de Dois Setores 321

        11.6.2 Discussão 325

        11.6.3 Crescimento e Estagnação Japoneses 328

    11.7 Conclusão 329

12. Comentários Finais: Macroeconomia Baseada em Evidências e Teoria Econômica 336

Referências 342

sexta-feira, 22 de março de 2024

Lista de Exercícios II - Economia Marxista II - 2024.1

Universidade Federal do Maranhão - UFMA

Ciências Econômicas - Economia Marxista II - 2024.1

Professor: Dr. Elizeu Serra de Araújo

Estagiário de docência: Felipe Reis Borti (Canal Grundrisse)


Lista de Exercícios - Aula 02 (Capítulo 02 d’O Capital - Volume III)

1. Explique a diferença entre a "taxa de mais-valia" e a "taxa de lucro", conforme apresentado por Marx. Por que essas medidas são importantes para entender a dinâmica do capitalismo?


2. Explique a crítica de Marx à percepção de que o lucro surge naturalmente da propriedade do capital, independente da exploração do trabalho.


Aula 02 (Capítulo 04 d’O Capital - Volume III)

3. Como a rotação do capital afeta a produção de mais-valia e consequentemente a taxa de lucro, segundo Marx?


4. Como a composição do capital, a taxa de mais-valia e a jornada de trabalho afetam a taxa de lucro, independentemente da rotação do capital?


5. Dados dois capitais, A e B, com composição percentual de 80c + 20v e uma taxa de mais-valia de 100%, sendo que o capital A rota duas vezes ao ano e o capital B rota apenas uma vez ao ano, calcule e compare as taxas de lucro de A e B.


6. Suponha um empreendimento com:

  • Capital fixo: 10.000 unidades monetárias
  • Capital circulante: 2.000 unidades monetárias
  • Despesa anual com salários: 2.000 unidades monetárias
  • Taxa de mais-valia: 150%
  • O capital variável realiza 8 rotações ao ano

Qual a taxa de lucro anual considerando as informações fornecidas?

segunda-feira, 18 de março de 2024

Lista de Exercícios I - Economia Marxista II - 2024.1

Universidade Federal do Maranhão - UFMA

Ciências Econômicas - Economia Marxista II - 2024.1

Professor: Dr. Elizeu Serra de Araújo

Estagiário de docência: Felipe Reis Borti (Canal Grundrisse)

Lista de Exercícios - Aula 01 (Capítulo 01 d’O Capital - Volume III)

1. Se um capitalista investe 400 u.m. em capital constante (c), 200 u.m. em capital variável (v), e gera uma mais-valia (m) de 200 u.m., qual é a taxa de mais-valia (m') e o valor total do produto (M)?


2. Supondo que o capital constante aumente para 600u.m. mantendo-se os outros valores constantes, qual seria o impacto no valor total do produto?


3. Se o custo do capital variável cai para 150u.m. mantendo a mesma produção da massa de mais-valia, qual o novo preço de custo e como isso afeta a taxa de mais-valia?


4. Explique a distinção feita por Marx entre o valor da mercadoria e seu preço de custo, e como essa distinção é relevante para a compreensão da formação do lucro no modo de produção capitalista.


5. Explique o processo pelo qual a mais-valia é transformada em lucro no modo de produção capitalista, considerando a ilusão criada pelo preço de custo.


6. Avalie a afirmação de Marx de que a mercadoria pode ser vendida com lucro abaixo de seu valor, considerando a relação entre o preço de venda, o preço de custo e a mais-valia.


7. Considerando as observações de Marx sobre o preço de custo como limite mínimo para o preço de venda, discuta as condições sob as quais o capitalista pode realizar lucro e as implicações de vender abaixo do preço de custo.


8. Explique como, na visão de Marx, as concepções capitalistas sobre o lucro se baseiam em ilusões, particularmente em relação à origem da mais-valia e sua transformação em lucro.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2024

Dicionário de Microeconomia e Economia Industrial

A

Arbitragem: compra de um preço mais baixo em um local X e vender por um preço maior em um local Y (Pindyck e Rubinfeld, 2013, p. 8).

Análise normativa: análise das questões relativas ao que se supõe adequado na economia (Pindyck e Rubinfeld, 2013, p. 7).

Análise positiva: análise descritiva das relações de causa e efeito sobre variáveis econômicas (Pindyck e Rubinfeld, 2013, p. 6).

B


C

Cesta de mercado: lista com as quantidades específicas de um ou mais bens (Pindyck e Rubinfeld, 2013, p. 67).

Complementares: Consideram-se que dois bens X e Y são complementares quando o aumento no preço de X gera uma diminuição da quantidade demandada de Y (Pindyck e Rubinfeld, 2013, p. 25).

Curva de demanda: curva que busca mostrar a relação entre a quantidade de um bem que os consumidores estão dispostos a comprar e o preço do bem (Pindyck e Rubinfeld, 2013, p. 23).

Curva de demanda linear: curva de demanda no formato de uma reta (Pindyck e Rubinfeld, 2013, p. 34).

Curva de indiferença: curva que expressa todas as combinações de cestas de mercado que dão o mesmo nível de satisfação a um consumidor (Pindyck e Rubinfeld, 2013, p. 69).

Curva de oferta: curva que busca mostrar a relação entre as quantidades de uma mercadoria que os produtores estão dispostos a vender e o preço da mercadoria (Pindyck e Rubinfeld, 2013, p. 22).

D

Demanda completamente inelástica: princípio de que os consumidores vão comprar uma quantidade fixa de determinada mercadoria, independentemente do seu preço (Pindyck e Rubinfeld, 2013, p. 35).

Demanda infinitamente elástica: princío de que os conusmidores vão comprar a quantidade que puderem a determinado preço, mas, para qualquer preço superior, a quantidade demandada é reduzida a zero; já para qualquer preço inferior, a quantidade demandada aumenta infinitamente (Pindyck e Rubinfeld, 2013, p. 35).

E

Elasticidade: mudança percentual de uma variável X decorrente da variação de 1% de outra variável Y (Pindyck e Rubinfeld, 2013, p. 33).

Elasticidade arco da demanda: elasticidade de preço calculada com base num intervalo de preços (Pindyck e Rubinfeld, 2013, p. 36).

Elasticidade pontual da demanda: elasticidade preço em determinado ponto da curva de demanda (Pindyck e Rubinfeld, 2013, p. 36).

Elasticidade preço cruzada da demanda: percentual de variação da quantidade demandada de determinada mercadoria que resulta no aumento de 1% no preço de outra (Pindyck e Rubinfeld, 2013, p. 35).

Elasticidade preço da oferta: percentual de variação na quantidade ofertada de uma mercadoria que resulta de 1% do aumento de seu preço (Pindyck e Rubinfeld, 2013, p. 36).

Elasticidade renda da demanda: percentual de variação da quantidade demandada resultante de um aumento de 1% na renda do consumidor (Pindyck e Rubinfeld, 2013, p. 35).

Escassez de oferta: quando a quantidade demandada no mercado é maior que a quantidade ofertada (Pindyck e Rubinfeld, 2013, p. 26).

Excesso de oferta: quando a quantidade ofertada no mercado é maior que a quantidade demandada (Pindyck e Rubinfeld, 2013, p. 26).

Externalidade: ação de um produtor ou consumidor que impacta outros consumidores e produtores, mas não está incluso nos preços de mercado (Pindyck e Rubinfeld, 2013, p. 654).

Externalidade negativa: ocorre quando as ações de uma parte (como uma empresa) resultam em efeitos adversos para outra parte que não está envolvida diretamente na decisão ou transação que gerou esses efeitos.

Exemplo: uma usina de aço ao despejar efluentes em um rio, prejudica os pescadores que dependem desse rio para pesca, sem que haja uma compensação ou consideração pelos danos causados. Este exemplo ilustra a falha do mercado em incorporar os custos externos (neste caso, a poluição) no preço do produto (aço), deixando as vítimas da externalidade sem reparação e incentivando a continuidade de práticas prejudiciais (Pindyck e Rubinfeld, 2013, p. 654).

Externalidade positiva: benefício indireto que terceiros ou a sociedade como um todo recebem de uma ação ou atividade econômica, sem que tenham participado diretamente nela ou compensado por isso.

Exemplo: melhoria estética de uma propriedade por meio da pintura e da criação de um jardim beneficia os vizinhos e a comunidade circundante, melhorando visual do bairro, mesmo que o proprietário da casa não tenha intencionado proporcionar esse benefício aos outros. (Pindyck e Rubinfeld, 2013, p. 654).

Extensão de um mercado: limites de determinado mercado (geográfico ou a escala de produtos fabricados e vendidos nesse mercado) (Pindyck e Rubinfeld, 2013, p. 9).

F


G


H


I

Índice de preços ao consumirdor (IPC): índice que busca medir o nível agregado de preços (Pindyck e Rubinfeld, 2013, p. 12).

Índice de preços ao atacado (IPA): índice que busca medir o nível agregado de preços de produtos intermediários e mercadorias no atacado (Pindyck e Rubinfeld, 2013, p. 13).


J


K


L



M

Mapa da indiferença: gráfico que mostra o conjunto de curvas de indiferença que expressam as cestas de mercado entre as quais os consumidores são indiferentes (Pindyck e Rubinfeld, 2013, p. 70).

Mecanismo de mercado: ideia de que, em um mercado livre, os preços se alterariam até que o mercado atinja o ponto de equilíbrio, ou seja, sem que sobre mercadoria e a oferta e demanda sejam iguais (Pindyck e Rubinfeld, 2013, p. 25).

Mercado: conjunto de compradores e vendedores que determinam o preço de um produto ou conjunto de produtos (Pindyck e Rubinfeld, 2013, p. 8).

Mercado perfeitamente competitivo: mercado abstrato com uma imensa quantidade de compradores e vendedores de modo que nenhum consiga, individualmente, determinar o nível de preço (Pindyck e Rubinfeld, 2013, p. 8).

Microeconomia: estudo do comportamento das unidades econômicas individuais.


N



O


P

Política industrial horizontal: políticas industriais que buscam elevar o desempenho das indústrias do país como um todo, sem privilegiar indústrias específicas (Ferraz, de Paula e Kupfer, 2013, p. 320).

Política industrial vertical: políticas industriais que privilegiam um indústria em espefíco, ou seja, políticas que buscam elevar o desempenho de um conjunto de empresas, indústrias ou cadeias produtivas em específico (Ferraz, de Paula e Kupfer, 2013, p. 320).

Preço de mercado: preço que prevalece em determinado mercado (Pindyck e Rubinfeld, 2013, p. 9).

Preço de equilíbrio (market clearing): preço que iguala a quantidade ofertada e a quantidade demandada de um mercado (Pindyck e Rubinfeld, 2013, p. 25).

Preço nominal: preço absoluto de um determinado bem, sem ajustes da inflação (Pindyck e Rubinfeld, 2013, p. 12).

Preço real: preço de um bem relativo a um determinado índice de preços; preço descontado a inflação (Pindyck e Rubinfeld, 2013, p. 12).


Q


R


S

Setores cíclicos: setores em que as vendas tendem a acentuar mudanças cíclicas no PNB e na renda nacional (Pindyck e Rubinfeld, 2013, p. 41).

Substitutos: consideram-se dois bens X e Y como substitutos quando o aumento no preço do bem X gera um aumento na quantidade demandada pelo bem Y (Pindyck e Rubinfeld, 2013, p. 24).

Substitutos perfeitos: dois bens X e Y são considerados substitutos perfeitos quando a taxa marginal de substituição de um pelo outro é constante (Pindyck e Rubinfeld, 2013, p. 74).


T

Taxa marginal de substituição: quantidade máxima de um bem que um consumidor está disposto a deixar de consumidr para obter uma unidade a mais de outro bem (Pindyck e Rubinfeld, 2013, p. 73).

Teoria do comportamento do consumidor: busca descrever como os consumidores alocam a sua renda entre diastintos bens e serviços buscando maximizar seu bem-estar (Pindyck e Rubinfeld, 2013, p. 66).

U


V


W


X


Y


Z