domingo, 31 de maio de 2026

Produtividade

Produtividade . . . é uma medida da eficiência com que os recursos são convertidos nos bens e serviços que as pessoas desejam. Solomon Fabricant, “Introdução”, em Kendrick (1961).

. . . a mensuração da produtividade consiste essencialmente em comparar produtos (outputs) com insumos (inputs), . . . Ross Gittins, “Productivity should be a spin-free zone”, The Sydney Morning Herald, 23–24 de junho de 2007.

Os ganhos de produtividade são o principal motor dos salários e dos padrões de vida. Sylvia Nasar, 2011, Grand Pursuit: The Story of Economic Genius (Fourth Estate, HarperCollins Publishers, Londres).

A medida tradicional do ritmo da inovação e da mudança tecnológica é a produtividade total dos fatores (PTF) (Total Factor Productivity – TFP) — isto é, o produto (output) dividido por uma média ponderada dos insumos de trabalho e capital. Robert J. Gordon (2016, p. 537).

1.1 As Origens de um Conceito

Como diversos estudiosos renomados já escreveram sobre a história da mensuração e da análise da produtividade, esta introdução pode ser breve. O leitor necessita apenas de informações suficientes para situar adequadamente o conteúdo deste livro. Para um exame mais detalhado, recomenda-se a consulta a Griliches (2001), cuja primeira seção é uma versão revisada de Griliches (1996) sobre “a descoberta do resíduo”; Hulten (2001); Grifell-Tatjé e Lovell (2015, Capítulo 1); e Grifell-Tatjé et al. (2018).

A primeira menção à variação da produtividade total dos fatores (PTF) como a razão entre um índice de quantidade de produto (output) e um índice de quantidade de insumos (inputs) aparece em uma contribuição de Copeland (1937) para aquilo que, em retrospecto, poderia ser chamado de abordagem da contabilidade da renda nacional. Impulsionados por instituições como o National Bureau of Economic Research, diversos estudos foram publicados no período pós-guerra, sendo Stigler (1947) um exemplo típico. Esses estudos tratavam principalmente de agregados setoriais ou da economia como um todo. Embora o índice de PTF fosse por vezes considerado uma medida da eficiência do processo econômico, a opinião predominante foi expressa de forma marcante por Abramowitz (1956), que o chamou de uma “medida da nossa ignorância”.[1]

[1]: Esta se tornou uma citação frequentemente repetida; sua ocorrência mais recente encontra-se em Gordon (2016, p. 543). Lipsey e Carlaw (2000) chegaram a concluir que “a PTF é tanto uma medida da nossa ignorância quanto uma medida de qualquer coisa positiva”, mas o que exatamente queriam dizer com esse termo “positiva” permaneceu sem explicação.

A outra abordagem, baseada na teoria da produção, parece remontar a Tinbergen (1942). Ele estendeu a função de produção Cobb-Douglas mediante a inclusão de uma variável de tendência temporal. A diferença entre a taxa de crescimento do produto real (output) e uma média ponderada das taxas de crescimento dos insumos reais de capital e trabalho foi interpretada, de diferentes maneiras, como mudança de eficiência, progresso técnico ou “Rationalisierungsgeschwindigkeit” (termo alemão que pode ser traduzido como velocidade de racionalização ou ritmo de racionalização da produção).

A contribuição fundamental e extremamente influente de Solow (1957) pode ser entendida como uma espécie de ligação entre essas duas tradições. Ele demonstrou que, sob determinadas condições, os parâmetros da função de produção Cobb-Douglas poderiam ser igualados a magnitudes estatísticas observáveis, e que o resíduo poderia ser interpretado em termos da razão entre índices de quantidade de produto (output) e de insumos (inputs). Por essa razão, o índice de produtividade total dos fatores (PTF) passou a ser conhecido como o “resíduo de Solow”, embora a expressão “resíduo” pareça ter sido utilizada pela primeira vez por Domar (1961). Solow interpretou esse resíduo como uma medida da mudança tecnológica.[2]

[2] Sobre Solow e a abordagem do National Bureau of Economic Research (NBER), exemplificada por Kendrick, ver Kleiman et al. (1966).

Desde o surgimento do conceito de variação da PTF, desenvolveram-se duas principais linhas de pesquisa. A primeira buscava explicar as mudanças na produtividade. A segunda concentrava-se em aperfeiçoar sua mensuração, sobretudo no que se refere aos fatores de produção capital e trabalho. Inicialmente, essa segunda vertente teve mais destaque do que a primeira. Por exemplo, Jorgenson e Griliches (1967) argumentaram que o uso da estrutura “correta” de números-índice e da mensuração “adequada” dos insumos eliminaria, em grande medida, o papel do resíduo.

De fato, o resíduo desapareceu, mas não por causa de técnicas de mensuração mais sofisticadas. O desaparecimento do crescimento da produtividade em toda a economia durante a década de 1970, seu reaparecimento posterior e a busca pelos fatores responsáveis por esse fenômeno mundial ficaram conhecidos como o “debate sobre a desaceleração da produtividade” (productivity slowdown discussion). A ênfase deslocou-se dos problemas de mensuração para os problemas de explicação, e a obra de Griliches constitui uma demonstração clara dessa mudança de foco. Entre os principais fatores explicativos considerados por ele estavam a educação, os gastos em pesquisa e desenvolvimento (P&D) e as patentes.

Os problemas de mensuração, entretanto, continuaram sendo importantes. Ao refletir sobre toda uma vida dedicada à pesquisa nessa área, Griliches (2001) afirmou:

"Tenho a impressão de que pelo menos parte do que aconteceu [isto é, a desaceleração da produtividade] decorreu do fato de que a economia e seus diversos impulsos tecnológicos se deslocaram para setores e áreas em que nossas medidas de produto são especialmente deficientes: serviços, atividades relacionadas à informação, saúde e também a economia subterrânea."

Mas, ao final, ele concluiu que:

"Houve muitas tentativas plausíveis de explicar a desaceleração da produtividade (...), mas nenhuma explicação decisiva foi encontrada, e nenhuma explicação isolada parece capaz de dar conta de todos os fatos. Assim, o tema permanece em um estado de indefinição até os dias de hoje."


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