MODIGLIANI, Franco. Liquidity Preference and the Theory of Interest and Money. Econometrica, v. 12, n. 1, p. 45–88, jan. 1944.
Preferência pela Liquidez e a Teoria dos Juros e da Moeda
O objetivo deste artigo é reconsiderar criticamente algumas das mais importantes teorias antigas e recentes sobre a taxa de juros e a moeda e formular, eventualmente, uma teoria mais geral que leve em conta as contribuições vitais de cada análise, bem como o papel desempenhado por diferentes hipóteses básicas.
A análise procederá de acordo com o seguinte plano:
I. Começamos reexaminando brevemente a teoria keynesiana. Ao fazê-lo, nosso objetivo principal é determinar qual é o papel desempenhado no sistema keynesiano pela "preferência pela liquidez", por um lado, e pelas suposições muito especiais sobre a oferta de trabalho, por outro. Isso nos permitirá distinguir os resultados que se devem a uma melhoria real da análise das conclusões que dependem da diferença de suposições básicas.
II. Prosseguimos então para considerar as propriedades de sistemas nos quais uma ou ambas as hipóteses keynesianas são abandonadas. Assim, verificamos nossos resultados anteriores e testamos a consistência lógica da teoria "clássica" do dinheiro e a dicotomia entre economia real e monetária.
III. Desta análise emergirá gradualmente nossa teoria geral da taxa de juros e da moeda; e poderemos proceder ao uso desta teoria para testar criticamente algumas teorias "keynesianas" recentes e, mais especialmente, aquelas formuladas por J. R. Hicks em Value and Capital e por A. P. Lerner em diversos artigos.
IV. Finalmente, para deixar claras as conclusões que decorrem da nossa teoria, tomamos posição na questão controversa sobre se a taxa de juros é determinada por fatores "reais" ou por fatores monetários.
Para simplificar a tarefa, nossa análise procede, em geral, sob suposições "estáticas"; isso não significa que negligenciamos o tempo, mas apenas que assumimos que a "elasticidade de expectativa" (total) hicksiana seja sempre a unidade. Nas próprias palavras de Hicks, isso significa que "uma mudança nos preços correntes mudará os preços esperados na mesma direção e na mesma proporção". Como mostrado por Oscar Lange, isso implica que assumimos que as "funções de expectativa", que conectam os preços esperados com os atuais, sejam homogêneas de primeiro grau.
Visto que todas as teorias que examinamos ou formulamos neste artigo tratam dos determinantes do equilíbrio e não da explicação dos ciclos econômicos, esta simplificação, embora seja séria em alguns aspectos, não parece injustificada.
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