quinta-feira, 2 de abril de 2026

Inflação de Demanda - Anwar Shaikh

V. INFLAÇÃO DE DEMANDA (DEMAND-PULL) 

V. DEMAND-PULL

1. Excesso de demanda e injeções de poder de compra 

1. Excess demand and injections of purchasing power

1. Excess demand and injections of purchasing power Chapter 12, equation (12.2) showed that aggregate excess demand in the commodity market can be expressed as three sectoral balances: ED = (I – S) + (G – T) + (EX – IM). The present chapter focuses on the net addition to new aggregate purchasing power created through the financing of these three balances. In this regard, it is useful to analyze the corresponding flows in terms of uses and sources of funds. I will begin by assuming a closed economy, so that EX = IM = 0 and all uses and sources are initially domestic. Households use their money for consumption, additions to money balances and the acquisition financial assets (purchases of new equities and bonds from the business sector and government bonds), which they fund from household income and bank loans. Businesses make investment and additions to money balances, financed from private bank loans, retained earnings, and sale of equities and business bonds. Government uses its funds derived from central bank loans, tax revenues, and sales of business bonds on government spending and additions to money balances. In a growing economy, which is the normal case, this implies some corresponding growth in the money supply.

1. O Capítulo 12, equação (12.2), mostrou que o excesso de demanda agregada no mercado de mercadorias pode ser expresso como três balanços setoriais: ED = (I – S) + (G – T) + (EX – IM). O presente capítulo foca no acréscimo líquido ao novo poder de compra agregado criado por meio do financiamento desses três balanços. Nesse sentido, é útil analisar os fluxos correspondentes em termos de usos e fontes de recursos. Começarei assumindo uma economia fechada, de modo que EX = IM = 0 e todos os usos e fontes sejam inicialmente domésticos. As famílias usam seu dinheiro para consumo, acréscimos aos saldos monetários e aquisição de ativos financeiros (compras de novas ações e títulos do setor empresarial e títulos governamentais), os quais financiam a partir da renda familiar e de empréstimos bancários. As empresas realizam investimentos e acréscimos aos saldos monetários, financiados por empréstimos bancários privados, lucros retidos e venda de ações e títulos empresariais. O governo utiliza seus fundos — derivados de empréstimos do banco central, receitas fiscais e vendas de títulos empresariais — em gastos governamentais e acréscimos aos saldos monetários. Em uma economia em crescimento, que é o caso normal, isso implica algum crescimento correspondente na oferta de moeda.

2. The question of new purchasing power can be stated in terms of the three aggregate balances. Household savings SH ≡ household income minus consumption = purchases of equities, business bonds and government bonds minus net additions to household debt in excess of additions to household money balances (new loans minus amortization on existing loans in excess of additions to money balances). Investment minus business savings (retained earnings SB) = sales of equities and bonds plus net new bank loans in excess of additions to business money balances. And government spending minus taxes = sales of government bonds plus net new government credit from the central bank in excess of additions to government money balances. The sum of the first two relations is (I – SH + SB) = (I – S) and the last is (G – T). If we consolidate these, the transfers of funds from one (non-financial) sector to another cancel out, as do their respective changes in money balances at a given money supply. This leaves net new domestic credit from private and central banks (ΔCRdom). However, only part of this goes into the purchases on new goods and services and new equity and bonds. The other portion goes into purchases of existing financial assets, homes, valuable objects, and so on. Since we are concerned here with the production of new goods and services, only the portion of new domestic credit (ΔCR'dom) that goes toward commodity expenditures is relevant. In a closed economy, it is this portion which constitutes new purchasing power (ΔPP):

ΔPP = ΔCRdom′ (clased economy)  (15.3)

2. A questão do novo poder de compra pode ser enunciada em termos dos três balanços agregados. A poupança das famílias (SH) ≡ renda familiar menos consumo = compras de ações, títulos empresariais e títulos governamentais menos os acréscimos líquidos à dívida das famílias que excedam os acréscimos aos saldos monetários das famílias (novos empréstimos menos a amortização de empréstimos existentes que excedam os acréscimos aos saldos monetários). O investimento menos a poupança empresarial (lucros retidos SB) = vendas de ações e títulos mais o novo crédito bancário líquido que exceda os acréscimos aos saldos monetários das empresas. E os gastos governamentais menos os impostos = vendas de títulos governamentais mais o novo crédito governamental líquido do banco central que exceda os acréscimos aos saldos monetários do governo. A soma das duas primeiras relações é (I–SH+SB) = (I–S) e a última é (G–T). Se consolidarmos estas relações, as transferências de recursos de um setor (não financeiro) para outro se cancelam, assim como suas respectivas mudanças nos saldos monetários para uma dada oferta de moeda. Isso deixa o novo crédito doméstico líquido de bancos privados e centrais (ΔCRdom). No entanto, apenas parte disso se destina à compra de novos bens e serviços e de novas ações e títulos. A outra porção destina-se à compra de ativos financeiros existentes, residências, objetos de valor e assim por diante. Como o foco aqui é a produção de novos bens e serviços, apenas a porção do novo crédito doméstico (ΔCRdom′) que se destina a gastos com mercadorias é relevante. Em uma economia fechada, é esta porção que constitui o novo poder de compra (ΔPP):

ΔPP = ΔCR'dom (economia fechada)  (15.3)

3. In the case of an open economy, net income from abroad is a direct addition to household and business income (which I will take as going largely to commodity expenditures) and the trade balance is a direct net injection of purchasing power into the commodity market. The sum of these two is the current account balance (CA). On top of this, households and businesses may engage in net borrowing from abroad, net purchases of foreign securities, and net depletions of their foreign money balances, each individual items being positive or negative. Once again, only part of this net financial inflow from abroad will fund commodity purchases rather than purchases of existing financial and real assets. Hence, the general source of excess demand in the commodity market is the portion of new domestic and foreign credit directed toward expenditures on commodities plus the current account balance of the external sector.

ΔPP = ΔCR'dom + ΔCR'externo + CA    (economia aberta)  (15.4)

3. No caso de uma economia aberta, a renda líquida do exterior é um acréscimo direto à renda das famílias e das empresas (a qual assumirei destinar-se em grande parte a gastos com mercadorias) e a balança comercial é uma injeção líquida direta de poder de compra no mercado de mercadorias. A soma desses dois elementos é o saldo em conta corrente ou balanço de transações correntes (CA). Além disso, as famílias e as empresas podem realizar empréstimos líquidos do exterior, compras líquidas de títulos estrangeiros e reduções líquidas em seus saldos monetários estrangeiros, sendo cada um desses itens individualmente positivo ou negativo. Novamente, apenas parte desse fluxo financeiro líquido do exterior financiará compras de mercadorias, em vez de compras de ativos financeiros e reais existentes. Portanto, a fonte geral de excesso de demanda no mercado de mercadorias é a porção do novo crédito doméstico e estrangeiro direcionada a gastos com mercadorias, somada ao balanço de transações correntes do setor externo

ΔPP = ΔCR'dom + ΔCR'externo + CA    (economia aberta)  (15.4)

4. Keynesian theory has long argued that the “rate at which [credit] is issued governs the growth in effective demand” (Moore 1988, 291). But the term “credit” must be understood here to encompass private and public creation of purchasing power, even though in the latter case the (electronic) printing of money is formally treated as new debt owed by the state to itself. The important point is that private banks have been able to create new aggregate purchasing power long before the advent of fiat money, within the limits of their ability to acquire the necessary backing. Fiat money frees the state from this technical constraint, so that it is not only able to greatly increase its own contribution to new purchasing power but also able to provide private banks with the necessary means to do much the same. Sraffa notes that in the classic cases of hyperinflation, “both monetary and bank inflation have created new purchasing power without a corresponding increase in the quantity of goods. On the contrary, while the quantity of goods probably declined, the result could not fail to be such a large price increase as to reestablish the balance between the total purchasing power and the quantity of available goods. In fact, in all countries a roughly proportional increase in the price level corresponded to the expansion of circulation” (Sraffa’s dissertation, cited in de Cecco 1993, 2).

4. A teoria keynesiana há muito argumenta que a "taxa na qual [o crédito] é emitido governa o crescimento da demanda efetiva" (Moore 1988, 291). Mas o termo "crédito" deve ser entendido aqui para abranger a criação privada e pública de poder de compra, embora, no último caso, a impressão (eletrônica) de dinheiro seja formalmente tratada como uma nova dívida devida pelo Estado a si mesmo. O ponto importante é que os bancos privados foram capazes de criar novo poder de compra agregado muito antes do advento do papel-moeda inconvertível (fiat money), dentro dos limites de sua capacidade de adquirir o lastro necessário. O papel-moeda inconvertível liberta o Estado dessa restrição técnica, de modo que ele não apenas é capaz de aumentar grandemente sua própria contribuição para o novo poder de compra, mas também é capaz de fornecer aos bancos privados os meios necessários para fazer o mesmo. Sraffa observa que, nos casos clássicos de hiperinflação, "tanto a inflação monetária quanto a bancária criaram novo poder de compra sem um aumento correspondente na quantidade de bens. Pelo contrário, embora a quantidade de bens provavelmente tenha declinado, o resultado não poderia deixar de ser um aumento de preços tão grande a ponto de reestabelecer o equilíbrio entre o poder de compra total e a quantidade de bens disponíveis. De fato, em todos os países, um aumento aproximadamente proporcional no nível de preços correspondeu à expansão da circulação" (dissertação de Sraffa, citada em de Cecco 1993, 2).



V.2. Novo poder de compra e a mudança no produto nominal





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